terça-feira, 31 de maio de 2016

Fiquei sozinho um domingo inteiro. Não telefonei para ninguém e ninguém me telefonou. Estava totalmente só. Fiquei sentado num sofá com o pensamento livre. Mas no decorrer desse dia até a hora de dormir tive umas três vezes um súbito reconhecimento de mim mesmo e do mundo que me assombrou e me fez mergulhar em profundezas obscuras de onde saí para uma luz de ouro. Era o encontro do eu com o eu. A solidão é um luxo.
Clarice Lispector. 

sexta-feira, 18 de março de 2016

"é,  eu sei esperar, e mesmo quando não sou paciente, eu sei fingir muito bem. Tenho minhas distrações, o tempo tá a meu favor, mesmo quando ele pensa que tá contra mim. Eu tenho essa fé ingênua de que nosso dia vai chegar,  e se ele não chegar de fato, esperar por ele tem me feito um grande bem. Como dizem por aí 'o melhor da festa é esperar por ela'. "

Cecília Marazano

segunda-feira, 7 de março de 2016

- Eu nunca gosto de nada, e gostei tanto de você.
- É?
- Droga.
- O quê?
- Eu falando de gostar.
- E daí?
- E daí que vai acontecer tudo de novo.
- O quê?
- Vou sentir demais, falar demais, escrever demais. E você vai embora.
—  Tati Bernardi

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Quis morrer de novo, engoli outra rejeição — mas estou vivo e, sinto muito, vou continuar.
-cfa-

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

...claro que você não tem culpa, coração, caímos exatamente na mesma ratoeira, a única diferença é que você pensa que pode escapar, e eu quero chafurdar na dor deste ferro enfiado fundo na minha garganta seca que só umedece com vodca, me passa o cigarro, não, não estou desesperada, não mais do que sempre estive, nothing special, baby, não estou louca nem bêbada, estou é lúcida pra caralho e sei claramente que não tenho nenhuma saída, ah não se preocupe, meu bem, depois que você sair tomo banho frio, leite quente com mel de eucalipto, ginseng e lexotan, depois deito, depois durmo, depois acordo e passo uma semana a banchá e arroz integral, absolutamente santa , absolutamente pura, absolutamente limpa, depois tomo outro porre, cheiro cinco gramas, bato o carro numa esquina ou ligo para o CVV às quatro da madrugada e alugo a cabeça dum panaca qualquer choramingando coisas tipo preciso-tanto-de-uma-razão-para-viver-e-sei-que-essa-razão-só-está-dentro-de-mim-bababá-bababá e me lamurio até o sol pintar atrás daqueles edifícios sinistros , mas não se preocupe, não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, tem coisa mais autodestrutiva do que insistir sem fé nenhuma? Ah, passa devagar a tua mão na minha cabeça, toca meu coração com teus dedos frios, eu tive tanto amor um dia, ela para e pede, preciso tanto tanto tanto, cara, eles não me permitiram ser a coisa boa que eu era, eu então estendo o braço e ela fica subitamente pequenina apertada contra meu peito, perguntando se está mesmo muito feia....

"Os Sobreviventes"

"Morangos Mofados" (p.278)

Caio Fernando Abreu

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Você me pergunta: que que eu faço? Não faça, eu digo. Não faça nada, fazendo tUdo, acordando todo dia, passando café, arrumando a cama, dando uma volta na quadra, ouvindo um som, alimentando a Pobre. Você tá ansioso e isso é muito pouco religioso. Pasme: acho que você é muito pouco religioso. Mesmo. Você deixou de queimar fumo e foi procurar Deus. Que é isso? Tá substituindo a maconha por Jesusinho? Zézim, vou te falar um lugar-comum desprezível, agora, lá vai: você não vai encontrar caminho nenhum fora de você. E você sabe disso. O caminho é in, não off. Você não vai encontrá-lo em Deus nem na maconha, nem mudando para Nova York, nem...

Caio Fernando Abreu

Carta ao Zézim

Houve uma mudança de planos e eu me sinto incrivelmente leve e feliz. Descobri tantas coisas. Tantas, Tantas. Existe tanta coisa mais importante nessa vida que sofrer por amor. Que viver um amor. Tantos amigos. Tantos lugares. Tantas frases e livros e sentidos. Tantas pessoas novas. Indo. Vindo. Tenho só um mundo pela frente. E olhe pra ele. Olhe o mundo! É tão pequeno diante de tudo o que sinto. Não dá mais para ocupar o mesmo espaço. Meu tempo não se mede em relógios. E a vida lá fora, me chama.
- Fernanda Mello-

sábado, 3 de outubro de 2015

E se o telefone tocar diga que eu morri que estou mortinho da silva, estirado no chão da sala com o coração na mão. Diga que retirei meu coração com a mão – ele estava doendo demais.

- Caio Fernando Abreu

sexta-feira, 24 de julho de 2015

quinta-feira, 2 de julho de 2015


"Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu."
- Caio Fernando Abreu

terça-feira, 30 de junho de 2015

Não, eu não te levo a sério.

Olha, eu penso em você de vez em quando. E isso não é nenhuma confissão inimaginável. Não dá pra dizer que os teus olhos pretos e brilhantes feito duas faíscas nunca me fizeram querer voar pra perto de você. Não dá pra dizer que eu nunca quis a tua barba na minha nuca sem parecer mentira.

Na verdade, de vez em quando é bondade minha. Eu penso quase sempre. No som da sua risada e no cheiro que a sua pele deve ter depois que você se veste.

Até seus versos me deixam com o coração pequenininho e uma cara de boba que tenho vergonha de que alguém veja. Até sua risada ao telefone me desestabiliza. Você é sempre tão envolvente ou me inferniza desse jeito só por diversão?

Não me conta seus problemas. Não me diz que você tá puto ou que sente saudades. Desculpe a franqueza, mas não me interessa. Não quero conhecer teus defeitos, teus segredos, tuas profundezas. Tua superfície me satisfaz tão bem.

Porque você é essa mentira. Esse futuro do pretérito. Você é aquilo que nunca vai ser. Tem coisas que foram feitas para não ser, sabe? Fica quietinho aí. Só sorri de vez em quando pra mim e escreve umas coisas que me façam pensar em você e te querer por perto, que o querer é quase sempre mais gostoso que o conquistar. Me dá esse aperto no peito de presente, meu bem. Quem sabe um dia a gente se cruze por aí e eu te dê um oi ou te convide pro cinema, e a gente saia por aí preenchendo essas nossas eternidades que duram cinco minutos.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014


Se você tivesse chegado antes, eu não teria notado. Se demorasse um pouco mais, eu não teria esperado. Você anda acertando muita coisa, mesmo sem perceber. Você tem me ganhado nos detalhes e aposto que nem desconfia. Mas já que você chegou no momento certo, vou te pedir que fique. Mesmo que o futuro seja de incertezas, mesmo que não haja nada duradouro prescrito pra gente. Esse é um pedido egoísta, porque na verdade eu sei que se nada der realmente certo, vou ficar sem chão. Mas por outro lado, posso te fazer feliz também. É um risco. Eu pulo, se você me der a mão.
-Veronica H-

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Semana passada liguei pro meu melhor amigo e convidei para um cinema. A gente não se falava desde o ano novo, quando tudo deu errado pro nosso lado. De tempos em tempos sumimos, falamos umas coisas horríveis de quem se conhece demais. Ele topou desde que fosse daqui pra frente, preguiça de conversar da briga e tal. E fomos. Cheguei antes, comprei. Ele chegou depois, comprou água. Porque eu comprei os ingressos, ele comprou também uns doces e disse que pagaria o estacionamento. Porque ele pagaria o estacionamento, eu disse que daria a carona da volta. E com meu coração tão calmo eu voltei a sentir o soninho de sofá de casa com manta que sinto ao lado dele. A gente não se beija nem nada, mas quando vai ver pegou na mão um do outro de tanto que se gosta e se cuida e se sabe. Já tivemos nossos tempos de transar e passar nervoso e aquela coisa toda de quem ama prematuramente. Mas evoluímos para esse amor que nem sei explicar. Ele me conta das meninas, eu conto dos caras. Eu acho engraçado quando ele fala “ah, enjoei, ela era meio sem assunto” e olha pra mim com saudade. Ele também ri quando eu digo “ah, ele não entendeu nada” e olho pra ele sabendo que ele também não entende, mas pelo menos não vai embora. Ou vai mas sempre volta. Não temos ciúmes e nem posse porque somos pra sempre. Ainda que ele case, more na Bósnia, são quase dez anos. Somos pra sempre. Ele conta do filme que tá fazendo, eu do livro. Os mesmos há mil anos. Contar é sem pressa de acabar. Se ele me corta é como se a frase que eu fosse falar fosse mesmo dele. É um exibicionismo orgânico, como se meu silêncio pudesse continuar me vendendo como uma boa pessoa. São dez anos. É isso. Ele me viu de cabelo amarelo enrolado. Eu lembro dele gordinho e mais baixo. Eu já fui bem bonita numa festa só porque ele queria me fazer de namorada peituda pra provocar a ex. Minha maior tristeza é que todo novo amor que eu arrumo vem sempre com algum velho amor tão longo e bonito. E eu sofro porque com pouco tempo não consigo ser melhor que o muito tempo. E de sofrer assim e enlouquecer assim, nunca dou tempo de ser muito para esses amores porque estrago antes. Mas meu melhor amigo é meu único amor. O único que consegui. Porque ele sempre volta. E meu coração fica calmo. E ele vai comigo na pizzaria e todos meus amigos novos morrem de rir porque ele é naturalmente engraçado e gente boa e sabe todos os assuntos do mundo. E todo mundo adora meu melhor amigo. E eu amo ele. E sempre acabamos suspirando aliviados "alguém é bobo como eu, alguém tem esse humor" e mais uma vez rimos da piada que inventamos, do pai que chega pro filho e fala: sua mãe não é sua mãe, eu transei com outra". E esse é meu presente dessa fase tão terrível de gente indo embora. Quem tem que ficar, fica.

Tati Bernardi-

quarta-feira, 28 de maio de 2014


“Se apaixonar é normal". Normal é tomar uma xícara de chocolate quente em dias frios, é correr na chuva em uma tentativa falha de não se molhar. Normal é quebrar um braço, rir até chorar ou beber até cair. Se apaixonar é loucura.”
— Carpejar.

segunda-feira, 31 de março de 2014



Se eu demorar, me espera, se eu te enrolar, me
Empurra
Se eu te entregar, aceita, se eu recusar, me surra
Se eu sussurrar, escuta, se eu balançar, segura
Se eu gaguejar, me entende, se eu duvidar, me jura
Se eu for só teu, me tenha, se eu num for, me larga
Se eu te enganar, descobre, se eu te trair, me flagra
Se eu merecer, me bate, se eu me mostrar, me veja
Se eu te zoar, me odeia, mas se eu for bom, me beija
Se tu tá bem, eu tô, se tu num tá, também...
Não tô legal, não tô, pergunto o quê que tem
Tu diz que tá tranquila, mas eu sei que tu num tá
Tu tá bolada filha, vamo desembolar
Se eu te amar, me sente, se eu te tocar, se assanha
Se eu te olhar, sorria, se eu te perder, me ganha
Se eu te pedi, me da, se for brigar, pra que?
Se eu chorar, me anima, mas se eu sorri é por você

 - Projota -

quinta-feira, 13 de março de 2014


mais se quiser desabafar fica a vontade, mas com toda essa
Saudade eu nem vou te deixar falar

-Projota-

domingo, 2 de março de 2014


— Ela queria outra coisa.
— Que coisa?
— Nem ela sabia. Repetia isso o dia inteiro: “Quero outra coisa, eu quero encontrar outra coisa”.
(Caio Fernando Abreu In Onde Andará Dulce Veiga?)

domingo, 16 de fevereiro de 2014

"Eu tenho uma psicologia muito frágil — simplesmente não quero me envolver em historinhas sujas como essa. Prefiro cair fora."

(Caio Fernando Abreu)


"Eu gritava Senhor de Toda Luz e de Tudo que Existe, dai-me Força, Fé e Luz."

(Caio Fernando Abreu. )
Conto para você, porque não sei ser senão pessoal, impudico, e sendo assim preciso te dizer: mudei, embora continue o mesmo. Sei que você compreende.

(Caio Fernando Abreu.)